quinta-feira, 28 de outubro de 2010


Enviada por Rafael Araújo

Esta fotografia, de autor desconhecido, prima pela sua simplicidade, equilíbrio e dinamismo subtil. Um motivo fotográfico tão simples como um gato  permitiu a criação de uma fotografia que, com tão pouco, pode dizer muito. Isto deve-se à primazia de uma composição bem pensada e conseguida. O gato, interesse principal da foto, sobressai, embora que tapado quase completamente, não só pela sua proximidade à lente com que foi captado, como pela uniformidade de cores que o envolvem e seu respectivo desfocamento, assim como da sua cauda, que levam a que o animal, mesmo estando em segundo plano, se destaque e transmita a ideia de que está em primeiro. A sua disposição ao centro, com um ligeiro deslocamento para a direita, transmite um maior dinamismo à imagem. Para além disso, o óptimo enquadramento da foto conjugado com a perfeita harmonia entre os contrastes luz/sombra resultam numa enorme sensação de equilíbrio e profundidade. A fotografia é quase geometricamente perfeita como consequência do ângulo do fotógrafo que resulta numa sensação de obliqualidade, consequência da direcção das linhas do panejamento complementadas pela direcção da orelha do gato.
A forma como a luz incide em volta deste objecto fotográfico, constrastando com o escuro da sua pele, realçam o brilho do seu olhar, desta expressão calma e despreocupada, portadora de uma certa frieza talvez.
Há algo de belo na expressão do gato que transparece algum desprezo, superioridade e segurança, num momento aparentemente calmo, pensativo e de reflexão.
Esta fotografia transmite-me uma sensação de melancolia e serenidade.


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